Sete décadas de colaboração com os nazis: o segredinho ucraniano sujo dos EUA

    Uma entrevista com Russ Bellant, autor de "Velhos nazis, a nova direita e o Partido Republicano".


Seu livro, ''Velhos nazis, a nova direita e o Partido Republicano'' expôs o profundo envolvimento no Partido Republicano de elementos nazistas da Europa Central e Oriental, incluindo ucranianos, que datam da Segunda Guerra Mundial e até antes. Conforme a crise ucraniana se desenrolou nas últimas semanas, houve menções esparsas de um elemento fascista ou neofascista, mas de alguma forma isso nunca parece justificar mais comentários ou explicações. Não consigo pensar em ninguém melhor para esclarecer o que não está sendo dito sobre esse elemento. O perigo da beligerância russa é cada vez mais óbvio, mas esse elemento fascista não examinado apresenta perigos próprios. O que você pode nos dizer sobre esse elemento e esses perigos?

O elemento tem uma longa história, de um longo registro que fala por si, quando esse registro é realmente conhecido e elaborado. A principal organização do golpe que ocorreu aqui recentemente foi a Organização dos Nacionalistas Ucranianos [OUN], ou um ramo específico dela conhecido como Banderas [OUN-B]. Eles são o grupo por trás do partido Svoboda (União Pan-Ucraniana, conhecida como ''Svoboda'', traduzido como 'Liberdade', é um partido político ultranacionalista ucraniano, um dos cinco maiores partidos do país) que obteve vários cargos importantes no novo regime provisório. O OUN remonta à década de 1920, quando se separou de outros grupos e, especialmente na década de 1930, começou uma campanha de matança e terror contra pessoas que não concordavam com eles.

Com a aproximação da Segunda Guerra Mundial, eles fizeram uma aliança com as potências nazistas, formaram várias formações militares, de forma que quando a Alemanha invadiu a União Soviética em junho de 1941, eles tinham vários batalhões que iam para a principal cidade da época onde se encontravam: Lvov ou Lwow, tem uma variedade de grafias [também 'Lviv']. 

Eles chegaram lá e há uma história documentada deles participando da identificação e captura de judeus naquela cidade, e ajudando na execução de vários milhares de cidadãos quase imediatamente. Também estiveram envolvidos na liquidação de populações de grupos poloneses em outras partes da Ucrânia durante a guerra (aqui, o autor se refere aos Pogroms de Lviv logo em julho de 1941, um mês após a Alemanha invadir a URSS. Foram sucessivos massacres de judeus que viviam na cidade de Lwow (atual Lviv, Ucrânia), perpetrados pelos comandos alemães, multidões locais e nacionalistas ucranianos de 30 de junho a 2 de julho de 1941 e de 25 a 29 de julho de 1941 durante o ataque da Wehrmacht (Wehrmacht eram as forças armadas unificadas da Alemanha nazista de 1935 até 1945) às posições soviéticas na Polônia Oriental ocupada na Segunda Guerra Mundial. O historiador Peter Longerich e a Enciclopédia do Holocausto estimam que o primeiro pogrom custou pelo menos 4.000 vidas. Ele foi seguido por 2.500 a 3.000 detenções e execuções sumárias em assassinatos subsequentes de Einsatzgruppe (esquadrão da morte subordinado a SS na Alemanha nazista).

Agora façamos uma retrospectiva histórica. Primeiro, do que se tratava a OUN?

Durante o golpe em Kiev em fevereiro de 2014 , um papel importante foi desempenhado pelo Partido Político neonazista 'Svoboda'. Seu nome original era "Partido Nacional Social da Ucrânia", invertendo habilmente o nome nacional-socialista do partido de Hitler. Ele usava como símbolo o símbolo “Wolfsangel” utilizado pela SS, mas habilmente o virou de cabeça para baixo.


Wolfsangel.

Partido Svoboda.

Em seu site durante o golpe, Svoboda orgulhosamente proclamou que “a ideologia de Svoboda se origina de... um livro escrito por Yaroslav Stetsko (guardem este nome), líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos” (OUN). Stetsko, um associado próximo de Bandera, foi instalado pelo Terceiro Reich como chefe do estado fantoche ucraniano quando os nazistas invadiram. A junta que assumiu o poder em Kiev por meio do terrorismo violento de rua liderado por militantes neonazistas, e foi reconhecida pelos Estados Unidos e pela OTAN, instalou um dos fundadores do Svoboda, Andriy Parubiy, como chefe do Comitê de Segurança e Defesa Nacional, e outro líder de Svoboda, Ihor Tenyukh, como Ministro da Defesa. Os neonazistas do partido Svoboda chefiam vários ministérios.

Os primeiros dias da ocupação nazista são uma questão inconveniente para os nacionalistas ucranianos de hoje que seguem o legado de Bandera e Shushkevich. Eles não gostam e tentam evitar o assunto. É fácil entender o porquê: logo após o exército de Hitler ocupar esta grande e antiga cidade europeia, seguiram-se os pogroms judeus. Assaltos, execuções, marchas de joelhos, ''striptease'' e outros tratamentos humilhantes continuaram por 3 dias. Duas a sete mil pessoas morreram, de acordo com diferentes estimativas. Os alemães filmaram e tiraram fotos de seus crimes. A propaganda alemã apresentou isso como “vingança popular” pelas execuções de presos nas prisões do NKVD antes que o Exército Vermelho se retirasse da cidade.

Enquanto isso, no primeiro dia de ocupação da cidade (30 de junho de 1941), nacionalistas ucranianos da facção de Bandera da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) declararam a independência da Ucrânia. Portanto, a independência começou com pogroms e massacres. Simultaneamente, o povo de Bandera criou a “Milícia do Povo Ucraniano” (UPM). A UPM envolveu militantes vestindo braçadeiras brancas ou da cor da bandeira ucraniana. No início vestiam roupas civis, depois - uniforme preto com gorros especiais de mazepinka pontiagudos, típico da UPA.

Eis o que uma testemunha dos pogroms de Lviv constatou:

''Os principais criadores do pogrom foram a milícia ucraniana com braçadeiras amarelo-azuladas no braço esquerdo.''

Aqui estão eles com as braçadeiras:





Um “policial” de Bandera com uma braçadeira é visto no local da escavação.




Um ''militante'' armado com um rifle e usando a braçadeira
vigia os judeus levados juntos para execução.




Pois bem. Agora voltemos à entrevista de Russ Bellant:

Sem se envolver profundamente em toda aquela história, a Organização dos Nacionalistas Ucranianos até hoje defende seu papel durante a guerra, eles eram apoiadores da formação da 14ª Divisão Waffen SS, que era a divisão totalmente ucraniana que se tornou um elemento armado em nome dos alemães, e sob o controle geral alemão. Eles ajudaram a incentivar a sua formação, e depois da guerra, logo no final da guerra, foi chamada de 'Primeira divisão ucraniana' e ainda glorificam aquela história daquela divisão da SS, e eles têm uma organização de veteranos, que obviamente não sobrou muitos membros, mas formaram uma divisão de veteranos disso.

Se você olhar a insígnia sendo usada em Kiev nas manifestações de rua e marchas para a divisão da SS, a insígnia ainda está sendo usada. De fato, eu estava olhando as fotos ontem à noite e havia uma formação inteira marchando, não com a 14ª Divisão, mas com a Segunda Divisão, era uma grande divisão que travou uma grande batalha em torno da Ucrânia, e esses manifestantes estavam usando a insígnia nas braçadeiras da Segunda Divisão.

Portanto, este é um registro muito claro, e a OUN, mesmo em suas publicações do pós-guerra, pediu território ucraniano etnogeneticamente puro, o que, claro, está simplesmente pedindo a purgação de judeus, poloneses e russos do que eles consideram território ucraniano. Além disso, os líderes atuais do Svoboda fizeram comentários abertamente antissemitas que pedem a eliminação dos ''judeus moscovitas'' e assim por diante. Eles usam essa linguagem ameaçadora muito grosseira que faria qualquer um que conheça a história da Segunda Guerra Mundial estremecer. Se eles estivessem morando aqui, me parece que começariam a se preocupar com isso.

Obviamente, essas pessoas não detêm o monopólio do poder na Ucrânia, mas eles se intensificaram e os Estados Unidos têm apoiado o partido Svoboda e esses nacionalistas ucranianos. Na verdade, as conexões dos EUA com eles remontam à Segunda Guerra Mundial e os Estados Unidos têm um vínculo de longa data com a OUN, por meio das agências de inteligência, inicialmente a inteligência militar e, mais tarde, a CIA.

Lembram-se do sujeito chamado Yaroslav Stetsko? 
É agora que ele entra em cena.

Seu livro discute uma figura central na OUN, Yaroslav Stetsko, que foi politicamente ativo por décadas aqui na América. O que você pode nos contar sobre sua história?

Yaroslav Stetsko foi o segundo líder da OUN durante a Segunda Guerra Mundial e depois dela. Em 1959, Stepan Bandera, que era o chefe da OUN, foi morto e foi quando Stetsko assumiu a liderança. Stetsko em 1941 foi o cara que realmente marchou para Lvov com o exército alemão em 30 de junho de 1941 e a OUN emitiu uma proclamação na época em seu nome, elogiando e clamando pela glória ao líder alemão Adolf Hitler e como eles marcharão de braços dados pela Ucrânia e assim por diante. Depois da guerra, ele fez parte da liderança-chave escolhida pelos americanos.


Este é o Yaroslav Stetsko.

Segundo consta no Wikipédia, ''em 30 de junho de 1941, Stetsko declarou em Lviv a formação de um Governo Nacional Ucraniano que "cooperará estreitamente com a Grande Alemanha Nacional-Socialista, sob a liderança de seu líder Adolf Hitler, que está formando uma nova ordem na Europa e no mundo" - conforme declarado no texto do "Ato de Proclamação do Estado Ucraniano", oficiais da Gestapo e da Abwehr protegiam os seguidores de Bandera, já que ambas as organizações pretendiam usá-los para seus próprios fins.''

Ou seja, logo no dia da proclamação do Estado Ucraniano (Estado fantoche dos nazistas), em 30 de junho de 1941, deu-se início aos pogroms contra os ''judeus moscovitas''. 
Com os dados apresentados aqui, é impossível de se afirmar que: 
1. Os pogroms foram cometidos apenas por nazistas, 
mas também e principalmente por nacional fascistas ucranianos (àquela época, não havia quaisquer desavença ideológica entre o Partido Nazi e a OUN, tirando o fato de que o líder da OUN-B, Stepan Bandera, acreditava que os nazis respeitariam a independência ucraniana, ao invés de transformá-la numa colônia ou protetorado da Alemanha Nazi).
E 2. Que o primeiro governante da Ucrânia ''independente'' e chefe do 'Bloco de nações anti-bolchevique' até 1986, ano de sua morte,
não tivesse qualquer responsabilidade sobre os eventos acontecidos em Lviv durante seu ''mandato''.

E quem é Stepan Bandera, o homem por trás da OUN e ''herói nacional'' dos neonazistas ucranianos dos protestos sangrentos de 2014? Vejamos:

Stepan Bandera era filho de um padre greco-católico nascido em Uhryniv Stariy, na Galícia, quando esta região da Ucrânia atual fazia parte do Império Austro-Húngaro, depois fazendo parte da Polônia, da qual fazia parte a cidadania de Stepan Bandera. Bandera fundou a maior organização terrorista da Ucrânia, surgida de um racha de uma organização pré-existente, a Organização dos Ucranianos Nacionalistas(OUN) - o.k, isso já sabemos... 
Ele teve contato com várias organizações nacionalistas ucranianas desde a infância, dentre as quais a Plast, organização de escoteiros de ucranianos fora da Ucrânia (na Ucrânia soviética, a única organização desse tipo eram os Pioneiros), depois a Organização para a Libertação da Ucrânia, até ter contato com a Organização dos Ucranianos Nacionalistas, da qual foi um de seus primeiros membros na Ucrânia Ocidental. De todas essas, a OUN era a mais ativa.

Stepan Bandera.


Ativista dedicado, Bandera cresceu rapidamente nas fileiras da OUN. Em 1932, ingressou em uma escola de inteligência na Alemanha, em Dantzig. A OUN, como todos os movimentos que defendiam o "nacionalismo ucraniano", já apresentava nessa época, antes dos nazistas chegarem ao poder, uma forte inclinação pró-alemã que aumentaria exponencialmente com a chegada de Adolf Hitler. Mesmo ciente do envolvimento de Bandera com a inteligência alemã, a direção da OUN o apontou para funções ainda mais importantes. No período de 1930 a 1933, Stepan Bandera foi preso 5 vezes. Em 1930 foi preso com seu pai por "propaganda antipolonesa", no verão de 1931 por tentar cruzar ilegalmente a fronteira polaco-tchecoeslovaca, e em março de 1931 pelo assassinato de um comissário de polícia política polonês, sendo preso várias vezes por isso.

Em 1933, a OUN assassinou o agente secreto soviético A. P. Maylov, em operação coordenada por Bandera e executada por Nikolay Lemik, preso pela polícia polonesa e condenado à prisão perpétua. Outra ação conhecida dele foi a direção de um atentado à bomba contra a sede do jornal Pratsiya, executado por Ekaterina Zaritskaya. O crime mais famoso cometido a mando de Bandera foi o assassinato do Ministro dos Assuntos Internos Bronislav Peratskiy. O assassino, Grigoriy Matseyko, conseguiu fugir para o estrangeiro. Uma vez que Bandera e seu companheiro Bogdan Pidgayskiy foram flagrados tentando cruzar a fronteira com a Tchecoeslováquia, ambos foram presos pela polícia polonesa, julgados e condenados à morte. Uma vez que no mesmo dia do julgamento de Bandera um professor ucraniano foi assassinado pela mesma arma que assassinou o ministro polonês, foi marcado um novo julgamento que condenou Bandera à prisão perpétua por ter ordenado o assassinato do professor Ivan Babiy, considerado um informante da Polícia Polonesa. Por essas ações, a OUN passaria a ser considerada pelos poloneses como uma organização terrorista.

Preso de 1936 a 1939, Bandera foi transferido para várias prisões, a última delas a Fortaleza de Brest, cidade então controlada pela Polônia. Com a invasão alemã, as forças militares polonesas foram alertadas pelo Marechal Rydz-Smigly para que não combatessem os soviéticos, que após o colapso do Estado Polonês (seus líderes internaram-se na Romênia, Estado neutro), a Ucrânia e a Bielorrússia Ocidentais foram incorporadas à RSSB e à RSSU, ambos países integrantes da União Soviética. Segundo algumas versões, os agentes carcerários resolveram liberar os presos da Fortaleza de Brest ante o colapso do Estado Polonês devido à invasão alemã. Segundo outras, estes teriam sido libertados pelo Exército Vermelho, que utilizaria como guarnição de fronteira a Fortaleza de Brest, ponto mais ocidental da URSS.

Bandera, libertado, retornaria à Ucrânia ocidental, onde a OUN passaria a atuar de forma clandestina sob o governo bolchevique. O NKVD, o Comissariado dos Assuntos Internos, da União Soviética, já conhecia as atividades terroristas da OUN e inclusive já a combatia ao redor do mundo. Em 1938, em Rotterdã, na Holanda, o agente soviético Pavel Sudoplatov logrou se infiltrar na OUN e matou o seu fundador, Evgen Konovalets, em um atentado à bomba, escondido numa caixa de chocolates, um suposto presente seu. De acordo com Sudoplatov, também responsável pela eliminação de Trotsky, segundo ele próprio, a ordem foi emitida a ele por Iossif Vissaryonovich Stalin: "Este não é apenas um ato de vingança, apesar de que Konovalets é um agente do fascismo alemão. Nosso objetivo é decapitar o movimento do fascismo ucraniano às vésperas da guerra e forçar esses gangsteres a aniquilar um ao outro em sua luta por poder."
Com o poder soviético estabelecido na Galícia, o novo governo tratou de perseguir os membros da organização terrorista ucraniana, comprovadamente ligada aos alemães. Bandera, temendo ser pegue pelo NKVD fugiu de Lviv.

Em 1940, a OUN conheceria um racha que afetaria a organização. Stepan Bandera rompera com o líder Andriy Melnyk, considerado demasiado pró-alemão. Bandera, ao mesmo tempo defendeu uma aliança temporária com os nazistas para o controle da Ucrânia
(aí que começa a desavença ideológica de Bandera para com a Alemanha Nazi), proposição no mínimo ingênua com relação a Adolf Hitler, que declarara o desejo de transformar a Ucrânia numa lebesraum, isto é, o "espaço vital" dos alemães, e que, inspirado no programa de eliminação dos índios para embranquecer os Estados Unidos, planejava a eliminação dos eslavos para germanizar a Ucrânia e a Rússia. Quando o III Reich invadiu a União Soviética, a OUN de Bandera, mais que a de Melnyk, revelou-se colaboradora fervorosa dos nazistas.

A organização de Stepan Bandera tinha muito em comum com a organização de Adolf Hitler. Este último clamava a "superioridade da raça germânica" e evocava seu suposto papel civilizatório da humanidade. O primeiro clamava a "superioridade da cultura ucraniana" e evocava o seu papel de "verdadeiros ucranianos". Os russos que conhecemos, segundo os "nacionalistas" ucranianos seriam uma suposta invenção tártaro-mongol diferentes da etnos ucraniana. Se o fascismo alemão tem como marcas de seu ódio o antissemitismo, o racismo antinegro, a eslavofobia e o anticomunismo, o fascismo ucraniano tem como marcas de seu ódio o antissemitismo, a russofobia e o anticomunismo (posteriormente elementos como o racismo antinegro passariam a integrar a ideologia fascista ucraniana). É importante frisar que essa teoria do "russo mongol", embora cultivada pelos nacionalistas ucranianos, é uma invenção eugenista alemã, surgida quando o Pangermanismo e o Pan-eslavismo rivalizavam entre si durante o século XIX. A Alemanha, com o intuito de justificar o seu controle sobre a Europa Oriental, procurou retratar os russos como "tártaro-mongóis" ávidos por barbarizar a Europa. Adolf Hitler e Stepan Bandera apenas desenterraram essas teses do Império Alemão para justificar seu ódio russofóbico.

De acordo com a Academia Nacional de Ciências da Ucrânia e outras fontes, o líder da OUN-B, Stepan Bandera, participou de vários encontros com os líderes da inteligência da Alemanha, referentes à formação dos Batalhões Rouxinol e Roland. Em 25 de fevereiro de 1941, o líder do Abwehr, Wilhelm Franz Canaris sancionou a criação da "Legião Ucraniana" sob o comando da OUN-B. A organização de Bandera esperava que a unidade se tornasse o núcleo do futuro Exército Ucraniano. Para isso, durante a primavera, a organização de Bandera recebeu 2.5 milhões de marcos para promover atividades subversivas e sabotagem contra a retaguarda do Exército Vermelho, facilitando o avanço das tropas alemãs em seu ataque à União Soviética.


O.k, já sabemos o suficiente sobre Bandera. Voltemos à entrevista:

Eu vi uma série de relatos, pelo menos três relatórios confiáveis, sobre como eles estavam no campo de deslocados, as forças aliadas montaram um campo de deslocados e recolheram dezenas de milhares desses ex-aliados de Hitler de países todos do leste, Hungria, Letônia, Lituânia - não havia colaboradores poloneses, acho que a maioria das pessoas sabem que os alemães perseguiram e assassinaram pesadamente milhões de residentes poloneses - mas na Bulgária, Romênia, Croácia e assim por diante, na Bielo-Rússia. Eles os tinham nesses campos que eles construíram e organizaram, onde os ucranianos estavam assassinando seu rival nacionalista ucraniano para que eles fossem os líderes indiscutíveis do movimento nacionalista ucraniano, para que eles conseguissem o patrocínio dos Estados Unidos para continuar sua operação política, e eles foram bem-sucedidos nesse aspecto. Assim, quando Bandera estava fora de cogitação, Stetsko se tornou o líder indiscutível dos nacionalistas ucranianos.

A Organização dos Nacionalistas Ucranianos em 1943 sob o patrocínio alemão organizou uma força multinacional para lutar em nome do exército alemão em retirada. Após a batalha de Stalingrado em '43, os alemães sentiram uma necessidade maior de conseguir mais aliados, e então a Guarda de Ferro Romena, a Cruz de Flecha Húngara, a Organização dos Nacionalistas Ucranianos e outros com formações militares no local para ajudar se reuniram e formaram a frente unida chamada 'Comitê das Nações Subjugadas' e novamente trabalhou em nome dos militares alemães. Em 1946, eles o renomearam como Bloco de Nações Anti-Bolchevique, ABN. Stetsko foi o líder até sua morte em 1986.

Menciono isso em parte porque o OUN tenta dizer: ''Bem, durante a guerra lutamos contra os alemães e os comunistas''. O fato é que eles lideraram toda essa aliança multinacional em nome dos alemães nos últimos dois anos da guerra e na guerra depois disso. Todos os líderes do pós-guerra dos impenitentes aliados nazistas estavam todos sob a liderança de Yaroslav Stetsko.

O que aconteceu quando Stetsko e outros como ele de outras forças aliadas alemãs vieram para os Estados Unidos?

Nos Estados Unidos, quando eles chegaram, seus grupos organizaram comitês de "nações cativas", eles se tornaram, supostamente, os representantes de pessoas que estão sendo oprimidas na Europa Oriental, nos países bálticos, pela URSS. Mas eles estavam, na verdade, recebendo um cheque em branco acrítico para representar as vozes de todas essas nações que faziam parte do Pacto de Varsóvia, quando na verdade elas representavam os elementos mais extremistas de cada uma das comunidades nacionais.

O Comitê das Nações Cativas em Washington DC, por exemplo, era dirigido pela pessoa que chefiava a organização nacionalista ucraniana, o que era verdade em vários lugares. Na área da minha cidade natal, perto de Detroit, eles desempenharam um papel importante. No início dos anos 50, quando eles foram reassentados nos Estados Unidos, havia pelo menos 10.000 deles que foram reassentados, quando você olha para todas as nacionalidades. Eles se tornaram politicamente ativos por meio do comitê nacional republicano, porque foi realmente o governo Eisenhower que tomou a decisão política no início dos anos 1950 e os trouxe. Eles criaram essas organizações de campanha, a cada quatro anos eles se mobilizariam pelo candidato republicano, quem quer que fosse, e alguns deles como Richard Nixon, em 1960, tinham laços estreitos e diretos com alguns dos líderes como a Guarda de Ferro romena e alguns desses outros grupos.

Quando Richard Nixon concorreu à presidência em 1968, ele fez uma promessa a esses líderes de que se ganhasse a presidência ele os tornaria o braço de divulgação étnica do Comitê Nacional Republicano de forma permanente, para que não fossem apenas uma  presença quadrienal, mas uma presença contínua no Partido Republicano. E ele fez essa promessa por meio de um cara chamado Laszlo Pasztor, que cumpriu cinco anos de prisão após a Segunda Guerra Mundial por crimes contra a humanidade. Ele foi processado em 1946 por um governo não comunista que na verdade controlava a Hungria na época. Houve um período de 45 a 48 em que o Partido Comunista Húngaro não governou a Hungria. Foram eles que o processaram. Ele serviu como elo de ligação entre o partido nazista húngaro e Berlim; ele serviu na embaixada de Berlim do movimento húngaro de setas cruzadas. Esse é o cara que foi escolhido para organizar todas as etnias, e as únicas pessoas que entraram foram os colaboradores nazistas.

Eles não tinham uma afiliada russa porque odiavam todos os russos de todos os matizes políticos. Também não havia afro-americanos ou judeus afiliados. Era apenas composto por esses elementos, e por um tempo eles tiveram uma afiliada alemã, mas alguma exposição do caráter nazista da afiliada alemã fez com que fosse silenciosamente removida, mas outros elementos [nazistas] foram mantidos.

Seu livro foi pesquisado e publicado na década de 1980. O que estava acontecendo naquele momento, depois que esses grupos foram estabelecidos por mais de uma década?

Fui às reuniões deles na década de 1980, e eles publicaram material que realmente deixava claro quem eles eram. 1984, um de seus livretos de 1984 elogiava o regime Ustashi pró-nazista na Croácia, e esses Ustashis mataram cerca de 750.000 pessoas e as queimaram vivos em seu próprio acampamento na Croácia. E aqui estão elogiando a fundação desse regime e reconhecendo que ele estava associado aos nazistas e foi assinado pelo presidente do Comitê Nacional Republicano. Você não poderia inventar essas coisas. Foi uma loucura.

Eu entrevistei um cara cossaco, ele me mostrou sua pensão de serviço na SS na Segunda Guerra Mundial e como ele era filiado a grupos nazistas livres nos Estados Unidos, e ele simplesmente não se arrependia. Esses são os guarda-chuvas que foram chamados de "Comitês das Nações Cativas" por essas pessoas de quem Stetsko havia partido e das quais também fazia parte. A Casa Branca de Reagan o trouxe e o promoveu como líder importante e ofereceu um grande jantar - [Embaixadora da ONU] Jeane Kirkpatrick fazia parte, George Bush como vice-presidente, é claro que o próprio Reagan - e Stetsko foi considerado um grande líder. E proclamações foram emitidas em seu nome.

Foi provavelmente durante esta fotografia que aconteceu o ''grande jantar'':


Trata-se, aparentemente, de um jornal ligado à ABN,
chamado Correspondência ABN,
com o subtítulo ''Boletim do Bloco de Nações Anti-bolchevique.
Ainda lê-se os dizeres: ''Liberdade para as nações!'',
''Liberdade para indivíduos!''
(como sempre, o conceito de liberdade sendo violentado
por liberais-conservadores, cuja ideologia
promoveu uma relativa liberdade política e de pensamento
em países europeus como a França,
mas que sempre justificou a escravidão racial e o colonialismo,
antíteses da liberdade, dos povos do Oriente). 
Na foto, datada de 19 de julho de '83,
Reagan cumprimenta ninguém menos que Yaroslav Stetsko,
líder da OUN, e diz:
''Sua luta é nossa luta. Seu sonho é nosso sonho.''

(...)

Quando o Bush pai estava concorrendo à presidência em 1988, ele veio a este que era basicamente um dos principais locais dos nacionalistas ucranianos na América do Norte, que fica nos arredores de Detroit, um subúrbio de Detroit para seu centro cultural, e um dos seus principais líderes no mundo estão sediados fora dele, na época, ele conseguiu que Bush viesse lá e eles denunciaram o OSI e Bush apenas balançou a cabeça, ele não quis dizer nada sobre isso.



Bush e Stetsko se encontraram, também.


''OSI'' era o Gabinete de Investigações Especiais, estava investigando a presença de criminosos de guerra nazistas nos Estados Unidos e deportando aqueles que haviam mentido sobre sua história quando solicitaram entrar nos Estados Unidos depois da guerra. Eles haviam deportado várias pessoas de todos os Estados Unidos. Eles tinham muitas investigações abertas, e todos esses nazistas emigrados estavam tentando exercer toda a pressão política que podiam para parar essas investigações, incluindo as nacionalistas ucranianas.

Então eles denunciaram as investigações do OSI, na frente de Bush, Bush acenou com a cabeça, mas ele não disse nada porque não queria soar como se fosse simpático aos criminosos de guerra nazistas, mas ao mesmo tempo ele não queria ofender seus anfitriões discutindo o problema com eles. Portanto, a questão da Segunda Guerra Mundial ainda estava sendo discutida quatro décadas depois, na política da presidência, e infelizmente Bush e Reagan continuaram do lado que tentamos derrotar na Segunda Guerra Mundial.

Qual foi a resposta quando seu livro foi lançado, com todas essas informações? Como foi recebida a informação e qual foi a reação política?

Antes da publicação do livro, a Washington Jewish Week fez uma história sobre alguns dos líderes étnicos da campanha de Bush e sua história, como negar o Holocausto ou estar envolvido com esses grupos nazistas de emigrantes. Eles nomearam alguns deles que não faziam parte do Conselho de Grupos do Patrimônio, mas fizeram parte da campanha de Bush.

Então, quando publiquei o livro, trouxe muito mais nomes, e o Philadelphia Inquirer e o Boston Globe publicaram histórias sobre eles. Chegou ao ponto em que, quando o repórter do Philadelphia Inquirer ligava para eles sobre um de seus líderes étnicos da campanha de Bush, a resposta padrão era que ele não fazia mais parte da campanha, e eles diziam isso quase tão logo o nome fosse mencionado. Para que ligassem para essa pessoa, e vou dar o exemplo de Florian Galdau, ele era, ele comandava a Guarda de Ferro Romena na cidade de Nova York. Ele tinha histórico de guerra. O próprio [arcebispo romeno Valerian] Trifa foi implicado no assassinato em massa de judeus em Bucareste em 1941, creio eu. O registro de Galdau é claro, porque quando Trifa foi processado ele era um dos alvos do Escritório de Investigações Especiais e foi forçado à deportação na década de 1980, mas nesses registros identificam-se que Florian Galdau é um de seus agentes, então sua história é conhecida, exceto aparentemente pela campanha de Bush.

Então, quando ele foi identificado pelo Philadelphia Inquirer, eles imediatamente disseram que ele não fazia parte disso, então o Philadelphia Inquirer ligou para Florian Galdau e disse: "Não, eu faço parte disso. Eles nunca disseram nada para mim. Pelo que sei, ainda faço parte da campanha. ” E esse era o padrão.

O Comitê Nacional Republicano disse após a eleição que iria formar um comitê de fita azul e fazer uma investigação das acusações em meu livro. Nunca fui contatado, ninguém afiliado ao projeto do livro, a editora não foi contatada por ninguém, nenhuma das fontes com que trabalhei foi contatada. E depois de cerca de um ano, sem ninguém levantar quaisquer problemas ou perguntas sobre isso, eles simplesmente dobraram e disseram ''Bem, não tínhamos recursos para investigar este assunto.''

Publiquei um artigo de opinião no New York Times cerca de duas semanas depois que a eleição acabou, e acho que foi a última vez que alguém disse algo publicamente sobre isso que obteve algum tipo de fórum. Acho que eles foram autorizados a morrer e definhar, esses são os líderes. A ideia republicana era provavelmente trazer outra geração de pessoas que nasceram nos Estados Unidos quando esses emigrados morreram, mas eles nunca fizeram nada sobre essa história que Richard Nixon lhes legou. A Casa Branca de Reagan tinha realmente feito alianças e compromissos políticos profundos com eles, eles não queriam parecer que lhes viravam as costas; e Bush os queria para sua campanha de reeleição, então ele também não iria virar as costas para eles.

Se você quiser uma anedota, sei que (o programa) 60 Minutes estava trabalhando em uma peça em que a equipe de Bradley estava trabalhando, e a própria Nancy Reagan ligou para o produtor executivo e disse que ''gostaríamos muito se você não fizesse essa história'', e isso acabou ali. Porque, basicamente, não se trata apenas de nazistas e do comitê nacional republicano serem nazistas na Casa Branca, isso inevitavelmente levanta a questão de quem são eles, como chegaram aqui, quem os patrocinou e isso volta para as agências de inteligência naquele momento. E algumas pessoas não gostam de pisar lá, se for vinculado a uma agência de inteligência, elas preferem ficar longe do assunto. Então, algumas pessoas no 60 Minutes ficaram frustradas com isso, mas foi o que aconteceu. Acho que eles foram capazes de matar efetivamente a história quando as pessoas tentaram cobri-la. Eles conseguiram persuadir os gerentes de notícias a não se aprofundar muito no assunto.

O que aconteceu desde que você escreveu seu livro, e a maior parte da geração da Segunda Guerra Mundial morreu? O que a OUN e seus aliados têm feito desde então que devemos estar cientes?

Depois que o OUN foi patrocinado pelas agências de inteligência do estabelecimento de segurança americanas, eles foram incorporados de várias maneiras na Europa também, como a Rádio Europa Livre, que tem sede em Munique. Muitos desses grupos, no ABN, estavam sediados em Munique sob o patrocínio da Rádio Europa Livre. De lá, eles executaram vários tipos de operações nas quais tentavam trabalhar dentro dos países do Pacto de Varsóvia. Quando a União Soviética entrou em colapso em 1991, vários deles voltaram para a Ucrânia, bem como para os outros respectivos países, e começaram a estabelecer operações lá e a organizar partidos políticos. Eles reconstituíram o grupo de veteranos das Waffen SS, fizeram marchas nos anos 1990 na Ucrânia e organizaram partidos políticos, em aliança com os Estados Unidos, e passaram a fazer parte do que se chamou de Revolução Laranja em 2004, quando venceram as eleições por lá.

O primeiro-ministro era um aliado estreito deles. Eles trabalharam com o novo governo para obter benefícios de veteranos para os veteranos da divisão ucraniana da SS e começaram a estabelecer estátuas, memoriais e museus para Stepan Bandera, que era o líder da OUN e que, devo dizer, era desprezado por outros nacionalistas ucranianos por causa de seus métodos, porque eram extremistas e violentos também com outros grupos nacionalistas ucranianos rivais  (ora seja, um ''herói nacional'' ucraniano que não tem homogeneidade nem mesmo entre os próprios nacionalistas ucranianos!).  

Bandera não era um herói universal, mas este grupo era tão influente, em parte por causa de suas conexões com os Estados Unidos, que se você entrar na Internet e pesquisar 'Lviv' no Google e a palavra 'Bandera', verá monumentos, estátuas e grandes cartazes e faixas com a imagem de Bandera e grandes monumentos erigidos em nome de Bandera, de modo que fizeram esse cara ser o George Washington da Ucrânia (outro eugenista...).

Esse governo esteve no poder até 2010, quando houve outra eleição, e um novo regime foi eleito com muito apoio do Leste. Os grupos nacionalistas ucranianos em torno da Revolução Laranja estavam nitidamente divididos uns contra os outros, havia uma corrupção galopante e as pessoas votaram neles. Os Estados Unidos foram muito agressivos na tentativa de manter os nacionalistas no poder, mas perderam a eleição. Os Estados Unidos estavam gastando dinheiro por meio do National Endowment for Democracy (outra palavra corriqueiramente violentada pelos liberais ''civilizadores do mundo''), que injetava dinheiro em várias organizações ucranianas, e estavam fazendo a mesma coisa na Rússia e em muitos outros países ao redor do mundo. Estamos falando de muitos milhões de dólares por ano para afetar a política desses países.

Quando as ocupações ocorreram na Praça da Independência em Kiev no ano passado, você pode ver os apoiadores de Svoboda e ouvir seus líderes no parlamento fazendo comentários antissemitas gritantes. O líder do partido Svoboda foi à Alemanha para protestar contra a acusação de John Demjanjuk, que era o ucraniano radicado nos Estados Unidos, implicado como guarda de campo de concentração na matança de pessoas inocentes. Os tribunais alemães o consideraram culpado e a liderança do Svoboda foi à Alemanha para reclamar da condenação desse cara. A razão pela qual eles disseram que não queriam nenhum ucraniano contaminado com aquilo era porque eles vivem uma mentira de que nenhum ucraniano teve qualquer coisa a ver com o regime nazista alemão, quando a história os trai e suas próprias afiliações os traem. Mas eles não gostam de estar lá publicamente, então eles sempre protestam sua inocência de qualquer ucraniano ser acusado de qualquer coisa, independentemente de quais sejam as provas.

Seu livro foi uma revelação importante, mas não foi o único. Seu livro observa que Jack Anderson relatou sobre as origens pró-nazistas de alguns dos conselheiros étnicos já em 1971, mas quando seu relatório foi publicado quase duas décadas depois, todos responderam com choque, surpresa e até negação. Que lições devemos tirar dessa história de história enterrada? E como isso deve influenciar nosso pensamento sobre o desdobramento da crise na Ucrânia?

Não acredito que seja tarde demais para se familiarizar e educar sobre a história desse fenômeno, tanto a história do tempo de guerra quanto nossa colaboração pós-guerra (bem, na década de 30 antes da guerra o jornalista Hearst já aliava-se à imprensa nazista para fabricar o factoide ''Holodomor ucraniano'', que tempos mais tarde serviu como motivação ideológica para o movimento dos neonazistas ucranianos) com essas pessoas. Houve uma série de denúncias escritas sobre os nazistas emigrados. Havia um livro de 1979 chamado Wanted, que continha uma série de histórias de casos dessas pessoas sendo trazidas para os Estados Unidos, incluindo a história de Trifa. Christopher Simpson fez um livro chamado Blowback que discutia as decisões políticas, é um livro incrível. Ele é um professor da American University e fez anos de pesquisa por meio do Freedom of Information Act e arquivos, e obteve os documentos de política sob os quais as decisões foram tomadas para reunir essas pessoas, e não apenas para os Estados Unidos, mas para distribuí-las o mundo.

Como meu livro, não recebeu a atenção que merecia. A crítica literária do New York Times foi negativa em relação ao livro. Tem gente que realmente não quer tocar nessas coisas. Há muitas pessoas que não querem que seja tocado. Acho que é muito importante para as pessoas que acreditam na abertura, transparência e valores democráticos, que não querem ver grupos de ódio voltando ao poder
(quais os grupos de ódio, hoje, que são piores ou detém tamanho poder como a máquina de guerra imperialista?!) em outras partes do mundo, saber o que aconteceu.

Não há muitos americanos que realmente sabem que a Waffen SS era uma força multinacional (mas certamente que sabem de cor e salteado o nome de cada um dos filhos das Kardashians). Isso foi mantido fora da história recebida. Caso contrário, as pessoas saberiam que haviam nazistas ucranianos, nazistas húngaros, nazistas letões, e todos eles estavam envolvidos no assassinato em massa de seus concidadãos, se fossem judeus, ou mesmo se fossem co-nacionalistas que estavam do outro lado da questão da guerra. Eles eram apenas assassinos em massa, em toda a Europa Oriental. E essa história, esses fatos nem são conhecidos. Muitas pessoas nem sabiam que esse fenômeno existia.

Acho que todos os americanos têm a responsabilidade de saber o que seu governo está fazendo na política externa na Europa e em todo o mundo, assim como na América Latina e na África. Já que nossa política era defender o apartheid na África do Sul, por que os americanos não desafiaram mais isso (a resposta me parece um tanto óbvia...)? Eles começaram a contestar isso nos anos 80, mas o regime do apartheid era comandado pelo partido nazista. Eles foram aliados da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, eles eram o partido nacionalista e assumiram o poder em 1948 e os Estados Unidos apoiaram isso por décadas. Apoiamos os esquadrões da morte na América Latina, embora eles massacrassem dezenas de milhares de pessoas - 30.000 pessoas somente no Chile. Os americanos não estão prestando atenção ao que seu governo está fazendo no exterior, embora isso esteja sendo feito com seus impostos e em seu nome, e acho que temos apenas uma responsabilidade geral.

Fui a essas reuniões, fui a essas conferências, passei por um período de anos. Encontrei-me com eles diretamente, a maioria das pessoas sobre as quais escrevi, encontrei-me com eles pessoalmente ou em reuniões de grupo. As pessoas não podem se dar ao luxo de fazer isso por conta própria, do mesmo modo, mas há literatura suficiente por aí que eles podem ler e pesquisar, eles terão domínio o suficiente para entender o que é o quadro real, para exigir mudanças. Não sou totalmente partidário nisso, mas acho que o Partido Republicano foi extremo nisso, mas os democratas desistiram e não contestaram isso quando sabiam que estava acontecendo.

Há um velho poeta romano que uma vez disse: ''A verdade não diz uma coisa e a sabedoria outra.'' Eu acredito nisso. Diga a verdade e a sabedoria virá acompanhadamente.






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